Feito miojo


Foi naquele primeiro instante que me apaixonei. Feito miojo: instantâneo. Não, não foi na primeira troca de olhares, no primeiro dar de mãos e nem mesmo no primeiro beijo. Foi naquele primeiro instante que seus cílios tocaram minha bochecha, que eu senti a Terra parar por dois segundos para respirar fundo, e só depois retomar a rotação - mas até hoje não tenho certeza se ela continuou pro lado certo. Enfim, eu tava falando da gente. Não de rotações ou planetas - mas também não anulo o fato de que talvez os sejamos. Mas isso é papo pra outro texto. Ou não. Talvez. Não sei. Voltamos a eu e você - porque seria ousadia demais dizer nós, não seria?

Foi naquele momento, o dos cílios, que eu senti que era você que eu queria ao meu lado, piscando pra sempre em mim e me fazendo cosquinha no rosto. Sei que pareço estranha - e juro que não te julgo por isso -, mas acredite: eu não sou. Ou não era. Mas se for pra acusar alguém, você que me deixou assim. Assim, vendo flores no meio do concreto, encontrando luzes coloridas no meio de São Paulo, sempre tão cinza. Assim, sorrindo pra pessoas desconhecidas, ou cantando Natiruts baixinho, apaixonadinha. 

Foi você. Você, boyzinho de outro lugar, de cidade turística, de sotaque gostoso, de coração gigante. Você, que me chama de madrugada falando que tá com saudade daquele brigadeiro, ou que começou um trabalho diferente. Eu nem sei se queria, mas agora, querido, não consigo escapar. Foi você, foi do nada. Você, que tem o sorriso mais gracinha do mundo. Você, que reza todas as noites de dormir - e eu torço pra um dia entrar numa dessas orações, pra que você peça baixinho pra gente ser feliz, pra que peça que a gente seja um só.

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